Capítulo 246 - SOTAQUE BRITÂNICO
Ouvi um barulho de tiro e a gargalhada de Bentler logo após o meu grito de medo e angústia.

{...} - Pode virar. -disse Cody- Ele atirou no chão.

Virei e dei dois passos para trás formando uma roda com nós três.

- Mike, eu te odeio. -eu disse.

Ele continuou rindo.

- Eu não tô vendo graça, eu tenho mais raiva do Cody do que sua mas tô com vontade de ir embora com ele! -falei e ele parou de rir.

- Desculpa. -ele disse.

- Mas alguém tem que ir embora. -eu disse.

- Eu não vou deixar você sozinha com ele. -disseram os dois juntos e se olharam com aquele olhar...

- Eu não vou deixar vocês dois aqui sozinhos. -falei

- Você só vai embora daqui comigo. -disse Cody.

- E nos seus sonhos. -respondi.

- Vamos ver. Se quiser eu sento e espero. -disse Cody.

- Dois. -disse Mike.

- Três e eu acho que eu ganho. -cruzei os braços.

- Não duvido, teimosia. -os dois disseram e novamente se encararam.

Sorri irônica. Ficamos lá parados por um tempo, Mike acendeu e fumou mais um cigarro, terminou, jogou longe e disse:

- Tá, eu cansei. Não tenho tempo pra isso.

- E você vai fazer o que? -perguntou Cody debochando.

- Lição de casa que não é. -Mike respondeu. Bem feito, Simpson.

- Então todo mundo vai embora de uma vez. -eu disse.

- A gente é criança agora? -perguntou Mike.

- Você não mas eu e ela somos. -Cody respondeu com uma voz de macho que nunca ouvi antes.

- Escuta... -Mike começou.

- Escuta você... -Cody foi responder.

- Escutem os dois. Cody, você sabe que eu já teria ido embora se não fosse o Mike.

- Sei, sei. -ele respondeu.

- Ei. -disse Mike.

- Que é? -Cody perguntou.

- Ele não sabe. Pra ele é normal. -eu disse.

- Ah, então ele é sempre grosso assim contigo? -Mike me perguntou.

- Relaxa... -fui interrompida:

- Você já tá acostumada com otário, né? -perguntou Mike.

- Antes isso que bandido. -disse Cody.

- Quem são as crianças agora? -perguntei.

- Eu vou embora só porque não tenho paciência pra isso. -disse Mike e veio até mim.

- Na minha frente não. -disse Cody.

- Eu ia te dar só um selinho. -disse Mike baixinho.

- Por que os indivíduos do sexos masculino gostam tanto de provocar? -perguntei.


- Porque sim e ele vai fazer o que? Me bater? -ele perguntou e se aproximou e não me deu apenas um selinho. Foi um beijo de língua ótimo. Não durou muito mas foi o suficiente para depois ver a cara de Cody vermelha de raiva. 

Mike foi embora e teve que dar aquela encarada antes. Nunca vi Cody encarar alguém assim. 

Esperamos que Mike sumisse de vista.

- Ele é maior que você e tem uma arma. QUAL O SEU PROBLEMA? -perguntei. 

- Meu problema você. -ele se aproximou e me prendeu na parede.

- O meu também. Robert, tem tanta gente pra você encher o saco, sua amiguinha Abby tá grávida, sua irmã tá fazendo a burrada de namorar com o meu irmão...

- Você tá fazendo uma pior. Me dá nojo ver vocês dois juntos.

- Me dá nojo olhar pra sua cara. Me dá nojo saber que a gente terminou e você agiu igual idiota, ficou bêbado e nem sabe com quem ficou.

- De quem é a vida mesmo? -ele se aproximou. O empurrei.

- Sua! E eu não ligo.

- Mas se você tava preocupada com tudo isso...

- Acho que é porque você se importa. Ficou tão mal e foi fazer besteira.

- Você veio ficar com outro.

- Eu já tava faz tempo. -menti.

- Se eu tivesse certeza de que ele não está ainda aqui por perto eu enfiava a mão na sua cara.

- Vai. Se você tiver coragem.

- É você que pede. 

- Eu sei. Bom saber que você ainda tem vontade de me bater, agora que eu fico mesmo com gosto com o Mike.

- Acha que eu ligo por que gosto de você? 

- Que seja, da próxima vez eu deixo você morrer.

Ele ficou quieto por um tempo. 

- Por que você fez isso? -ele perguntou.

- Se fosse qualquer pessoa eu ia proteger. 

- Não ia. -ele disse com convicção. 

- Cody, me erra, mas me erra feio, eu vou embora. -eu disse saindo andando.

~POV Cody~

Ela saiu desfilando e eu fiquei babando, óbvio. Fiquei olhando como ela andava, lembrando...

Fui atrás e a virei pelo braço. 

- Me. solta.

- Não. solto.

- Me solta! -ela puxou- Que te deu? Resolveu cuidar de mim agora? Dar a louca?

- Não. -eu não tinha o que responder. 

- Cada um vai no seu carro e chega.

- Você acha que eu vim de carro? Pra vocês ouvirem o barulho antes mesmo de eu chegar? 

- Eu não vou te dar carona.

Olhei pra cima.

- Opa, vai chover. Opa, eu não ligo. -ela disse e andou rápido até o carro.

~Seu POV~

Ouvi o barulho de um trovão e até me encolhi de tão forte.


- Meu Deus... -disse por causa do barulho. E logo começou a chover, eu já havia andado alguns metros, pensei, olhei pra trás e dei ré. Cody abriu a porta e entrou- Você vai secar o banco depois.

- Não vou nada.

Bufei e sai dirigindo normalmente.

- AONDE VOCÊ VAI, MENINA?!

- Nunca entrou no carro com o Math, não? 

- Bom saber que não devo.

- É bom você saber que vai ter que andar até a sua casa. Vou só te deixar na rua.

- O que custa? A minha casa fica antes da sua.

- Custa eu ter que pisar no freio. 

Ele ficou quieto e colocou os pés no banco abraçando os joelhos.  

- Tá doido?

- Também não vou limpar.

- Tá assim por que?

- Logo você verá. 

- Verei. -ri.

Chegamos no começo da rua e Cody começou a se mexer mãos para o lado, o meu lado. Estávamos perto de sua casa e eu mantinha a velocidade, quando passei na frente ele pisou o pé em cima do meu que estava no freio. O carro foi com tudo pra frente.

- VOCÊ... 

- Tchau! -ele aproximou o rosto do meu uns 10 centímetros, abriu a porta e saiu. Agora já não estava mais chovendo.

- Ele tá doido. -continuei dirigindo em baixa velocidade até minha casa. Cheguei no portão, desci do carro e disse para um dos seguranças: - Estaciona pra mim?

- Claro. Qual a vaga? -ele perguntou e entreguei-lhe a chave.

Na garagem a minha vaga é...

- Três. -respondi. 

Entrei em casa e fui para a cozinha, abri a geladeira e procurei algo pra comer.

- Precisa de alguma coisa? -perguntou uma das empregadas que eu havia visto apenas uma vez na vida.

- Preciso comer, aquele café da manhã às 6 não me sustenta até agora. Já são 17 horas.

- Pode sentar, o que você quer?

- Algo que me sustente até amanhã, eu vou comer, tomar banho e dormir atéee...

- Como você aguenta, menina? -ela perguntou abrindo os armários. 

- Tenho coisas pra resolver, fico ocupada aí até esqueço de comer. Fico por aí quebrando a cara. -ela apontei para o meu rosto e ri.

- Ah.

Ela disse apenas isso, esperava que ela perguntasse o que tinha acontecido. 

- Não vai perguntar o que ando fazendo ou o que aconteceu? 


- Sua mãe não gosta que...

- Ela disse que não gosta que vocês fiquem se metendo na nossa vida? Quem é a minha mãe? Pode me perguntar qualquer coisa, desde que você não conte pra ela. -eu ri.

Enquanto isso ela me preparou algumas torradas, algumas frutas e um suco de morango.

- Obrigada.

- Por nada. -ela abriu um sorriso enorme.

- O que foi? Já sei, eu sou a primeira pessoa a agradecer nessa casa.

- Sim.

- Faz eles falarem.

- Não, eu não tenho mais nenhum lugar pra trabalhar.

- Eu falo com eles. Deixa eu perguntar, não tem besteira pra comer?

- Não. A sua mãe mandou não comprar por causa do seu irmão. 

- Que irmão? -eu ri, sempre me falam "seu irmão". Legal, e como eu faço pra saber qual é se tenho 5?

- Matthew. 

- Oxe, por que?

- Ele tá fazendo dieta.

A comida quase foi pra fora da minha boca, comecei a rir.

- Dieta? Pra quê? -perguntei.

- Boa pergunta, menina.

- Você sabe o meu nome? -perguntei.

- Sei, é jeito de falar "menina", eu sou do interior.

- Entendi. Chega de falar de boca cheia, você deve estar horrorizada.

- Um pouco. 

- É porque eu gosto de contrariar meus pais, eles ficam doidos. É legal.

- Você é doida. -ela riu, olhei pra ela ainda comendo- Quer dizer, desculpa, eu não queria ter falado isso, é que a conversa...

- Relaxa, eu peço pra apagarem da câmera. Fica tranquila, não dá nada.

- Ai, que susto. Tudo bem, eu preciso voltar a trabalhar. 

Surgiu do nada um segurança ali antes da empregada sair.

- Encontramos algo no seu carro e precisamos contar aos seus pais. Dessa vez, nada de subornos. -ele disse.

- É, acharam o que? Espero que tenha sido aquele rímel que eu tinha perdido. -eu disse.

- Isso. -ele levantou a mão com o objeto. 

- Mas isso não é meu. -respondi.

- Estava no seu carro. 

A empregada ficou chocada, pediu licença e saiu.

- Tudo que tá no meu carro é meu? Não necessariamente e eu tenho certeza de que não é meu.

- ...

- Vai lá contar pra eles.


- Por que você está tão calma?

- Porque minha consciência tá limpa e meu corpo também disso aí. Pode contar pros meus pais que deve ter sido um dos meus amigos ou meus irmã...já sei de quem é! -levantei e sai correndo.

Corri pelo jardim, passei pelas piscinas e pedi para abrirem o portão, esperei e esperei e sai correndo também pela rua. Bati na porta e Angie abriu.

- Eu sinto muito ter que te fazer ver a minha cara, tia. Não me culpe por meus pais serem as pessoas que são, eu sou muito diferente, é sério. Eu sei o quanto você é próxima dos seus filhos e eu invejo muito isso e você já deve estar sabendo que eu e Cody terminamos assim como você queria mas eu vim correndo até aqui, claro que não é uma distância muito longa mas eu nunca saio correndo por aí, mas é que eu preciso muito mesmo falar com o Cody. Por favor. -juntei as mãos. 

- Não precisava de todo esse discurso, querida. -ela sorriu- Pode entrar, ele acabou de subir, está tomando banho, pode esperar lá em cima.

- Obrigada. -respondi e subi correndo. Abri a porta do quarto dele e esperei lá dentro em pé.

Depois de cinco minutos ele saiu ajeitando a camiseta branca e um perfume maravilhoso se espalhou pelo quarto quando ele abriu a porta do banheiro.

- O que você tá fazendo aqui? -ele perguntou. 

- Conhece essa minha cara?

- Conheço. O que eu fiz?

- Só quase acabou com a minha vida. 

- Mina, eu não tô pra drama hoje. 

- E eu vim aqui...

- Brigar comigo. Tá, novidade, fala. -ele deu dois passos para frente e parou de braços cruzados.

- Sabe o que encontraram no meu carro? No banco do passageiro? 

Ele começou a passar a mão nos bolsos.

- Eu perdi um...

- Potinho com cocaína dentro? Exatamente.

Ele correu até a porta e a bateu.

- Fala baixo. -ele disse.

- Por que? Onde foi que você arr...

- Foi na festa...

Coloquei a mão no rosto e...

- Você tá cheirando a sua mão. -ele disse.

- Quer que ela cheire na sua cara?

Ele me olhou assustado.

- Tá, e vai falar que do lado daquele cara você não voltou a usar nada?

Eu demorei pra responder e isso queimou com tudo.

- Viu?

- Foi uma vez pra não mais, hoje quando ele começou a fumar na minha frente eu até briguei com ele.

- Viu? Você que tá estressada e eu nem sei o que você tá fazendo aqui, cada um não tinha a sua vida agora?

- Eu não vou deixar você...

- Terminar igual você terminou? Para de ser egoísta. 

- Egoísta?! 

- É, talvez não. 

- Eu sei que não. 

- Talvez eu acabe pior porque meus pais não vão pagar pra mim uma reabilitação de milhões. 

- Para de botar dinheiro no meio sempre! Para de jogar isso na minha cara, você sabe que de nada me importa e não existe reabilitação nesse preço a não ser que a pessoa fique 10 anos lá dentro. 

- Não se importa? Veste uma roupa que não seja de marca pra ver se você não fica com cara de nojo. Alguma que custe menos de 500. Depois vem morar um dia aqui comigo onde não tenha alguém que faça tudo pra você. Você não deve conseguir nem ligar uma magueira e regar uma planta! Sabe o que é mangueira? É aquilo que enche aquele negócio que fica esguichando e rodando água no seu jardim o dia inteiro só disperdiçando!

- Cody, cala a boca. O assunto não é esse! Você tá usando cocaína e eu não vou deixar.

- Por que?

- Porque a pior coisa do mundo é virar escrava disso!

- Vou fingir que eu acredito.

~POV Cody~

- Vou fingir que não me importo mais com você. Fingir, tá ouvindo? Faz quase dois dias e eu não tô aguentando ficar sem você por mais que você me trate sempre do mesmo jeito. -ela disse com lágrimas nos olhos, abriu a porta, saiu e bateu com tudo.

Entrei no banheiro, peguei o último vidro e joguei no lixo sem pensar duas vezes, sem pesar a consciência.
Deitei na cama, respirei fundo e passei a mão no rosto. Fiquei olhando pro teto e mexendo no cabelo.

~Seu POV~

- O que aconteceu? -Angie perguntou quando desci. Não queria que ela me visse chorando.

- Eu não posso mais amá-lo. Cuida bem dele, fica de olho porque ele não vai me ouvir.


- O que ele fez?

- Eu deveria, mas não posso contar.

- Tudo bem, não vou me meter na vida de vocês. Fica bem, vai com Deus. -ela disse passando a mão em meus cabelos.

Balancei a cabeça. 

- O que eu devo responder? -perguntei.

- "Amém".

- Amém. -respondi e voltei pra casa.

Deitei na minha cama me perguntando por quê estava chorando. Não, não era por me importar com ele. Era porque eu sabia o que aquela droga daquela droga fez comigo e não vou deixar que faça com mais ninguém! Não é só porque é o Cody. 
Meu celular vibrou com uma mensagem do Mike "Ainda quero te ver hoje" "Quando?" "De noite" "Tá, onde?" "No mesmo lugar da segunda vez. Apaga essa mensagem".
Apaguei a mensagem, me cobri e tentei dormir. Tentei e tentei, mas nada. Será que tem remédio pra isso? Sei que tem, o problema é que tem várias noites que não consigo dormir e se começar a tomar remédio vou viciar e não vai ser legal. 

Ouvi risadas do quarto de Math e reconheci que eram da Alli. Tentei dormir mas uma vez e nessa consegui. Dez horas eu acordei, tomei banho, ajeitei o cabelo com o secador, coloquei uma calça jeans preta, uma blusa soltinha e branca, uma jaqueta preta e all star preto. Desci e já começaram a encher o saco.

- Aonde você vai? Tá tarde pra você sair essa hora. -disse Math.

- Você vive saindo essa hora. -respondi. 

- É mesmo? -perguntou Alli.

- Claro que não! -Math mentiu- Pra onde você vai?

- Vocês sabem e não façam igual Cody fez hoje me seguindo, ele quase morreu. -sai e fui andando até aquela "floresta". Não era uma floresta. Era apenas um lugar com árvores, algumas trilhas e onde não passava quase ninguém. 
Antes passei em uma sorveteria porque estava com fome, comprei um picolé e fui.

- Eu não vou ficar te procurando. -eu disse como se alguma vez tivesse que ficar o procurando.

- Calma. -ele acendeu a lanterna do celular no próprio rosto e eu levei um susto! Ele deu risada. Me aproximei dele que estava encostado em uma árvore. 


- Não que eu demonstre mas você já é pequena, ainda vem de tênis.

- Então você gosta de mulheres de salto? -perguntei quando ele segurou minha cintura e colou nossos corpos.

- Gosto de meninas de salto. -ele falou baixo e sorriu.

- Entendi. -eu ri e voltei a lamber meu picolé- Por que você tá me olhando assim? Até agora não me beijou nem nada.

- Eu tô pensando.

- Em que?

- Pensando que você poderia estar chupando outra coisa ao invés do seu sorvete. 

Arregalei os olhos e ri, ele riu também. 

- É mesmo? -perguntei.

- É. Então joga isso fora e...

- Não. Vou terminar, eu paguei 20 dólares só porque a mulher já estava fechando e eu insisti.

- E o que é 20 dólares pra você? -ele riu de mim.

- Muito num sorvetinho desse tamanho.

Ele começou a rir de novo olhando pra mim. 

- Não precisa me falar no que você pensou. -eu disse enquanto ele deixou de ter as mãos em minha cintura para colocá-las mais pra baixo. 

- Viu como você também é safada. 

- Safada? Eu? Eu sou menina e muito mais nova do que você, vai comparar as besteiras que você tá pensando com o que eu tô pensando.

Ele apenas riu, terminei o picolé e joguei o cabinho longe.

- Agora eu posso querer te beijar? -ele perguntou. 

- Não, porque eu não tô à fim.

- Se for preciso eu te amarro e se eu pudesse te beijava a noite toda.

- Você...já esqueceu o que aconteceu hoje à tarde?

- Já. Não quero nem esquentar com isso. E você, por que tá lembrando?

- Por nada, eu só não quero que você perca a linha. 

- Eu pensei besteira de novo. -ele riu mudando de assunto.

- Desde quando você tá pensando besteira?!

- Desde quando você chegou. -ele se aproximou e me beijou. 

Foi um beijo ótimo, a minha língua estava gelada e a dele super quente. Diferente das mãos frias que senti quando ele as colocou por dentro de minha blusa. 

- Fala que você veio de carro. -disse no intervalo de dois selinhos. 

- Vim.

- Ainda bem, porque é o único lugar que a gente tem pra fazer isso.

Entramos no carro dele ainda nos pegando e...

~POV Joel~

- A última. -eu disse.

- Última? Ainda falta muito pra terminar. -disse Cambo. 

- Eu não aguento mais, não. Continuem a aposta sem mim, eu tô com vontade de vomitar e eu sei que não tô em mim e eu vou pra casa, falou vocês. -disse Cody.

- Fraco. -Math provocou porque queria que ele ficasse. Eu era o mais sóbrio daqui.

- Você tem namorada pra cuidar. -Cody respondeu.

- Ainda não é namorada, a gente devia dar uma olhada nas mina daqui.

- Também tô com vontade de pegar alguém. -disse Cody.

- Então pega. -respondi.

- Vocês estão me enchendo. -Cambo levantou a mesa do balcão do bar.

Olhou em volta, achou alguém, de longe vi que ele começou a dar ideia em uma mina, foram para um canto e já começaram a se pegar.

- Cody. -eu disse.

- Sabe o que é? Eu tô com preguiça. -ele respondeu.

- Pera aí que eu vou achar um homem pra você ficar, vai lá logo! -disse Math. 

- Ali? -ele perguntou. 

- É, a loira.

- Por que a loira? 

- Porque a ruiva é mais bonita e eu quero ela. -Math respondeu. 

- Vou na ruiva. -ele sorriu e saiu.

- Eu odeio ele. -Math me disse.

- Cody só é bonito, ele não consegue conversar com a menina.

- Também acho, ele é meio tímido aí acaba com tudo. Sabia que ontem -ele bateu a mão no balcão- eu tomei banho?

- É mesmo? -perguntei.

- É! Aí vocês me trouxeram pra cá. 

- A ideia foi sua de vir pra cá. 

- Minha!

- Math, aproveitando esse seu estado de não sóbrio, posso te perguntar uma coisa? -eu ia começar a tirar uma com a cara dele.

- Deve!

- E a Alli? 

- Que Alli? Quem é Alli?

- Da Austrália. 

- Austrália. Sabe o que eu descobri quando fui pra lá? 

- O que? -comecei a rir. 

Ele colocou a mão no meu ombro e falou baixo como se fosse um segredo:

- Não tem só canguru lá. 

- É mesmo? Não brinca.

- Não tô brincando, não tô brincando. Se a Alli veio de lá. 

- Aham. -falei para que ele prosseguisse.

- E ela não é um canguru.

- Sério? 

- Sério e ela é gostosa, ontem eu fiquei com ela o dia todo.

- E por que ela é gostosa?

- Você não pode falar que ela é gostosa. -ele disse apontando pra mim.

- Não? 

- Ela é minha e eu não posso contar porquê. Porque acontece entre quatro -fez quatro com a mão- paredes.

- Não precisa nem me contar.

- Eu sei que não! 

- Olha quem tá vindo aqui. Acho que o Cody arrumou a ruiva pra ele e a loira tá vindo. 

- A loira? -ele perguntou e virou.


- Oi. -a menina disse toda safada. Estava com uma roupa minúscula. É claro que o Math vai pegar.

Falei. Só faltou eu. Acho que vou ficar por aqui mesmo numa boa.

Um tempo depois vi Math indo embora com aquela menina e voltei com Cambo e Cody pra casa.
Já pela manhã, como era sábado, acordamos tarde e fomos pra casa da (SeuNome) porque ela chamou. Bom, mesmo se não tivesse chamado a gente iria mesmo. As meninas quiseram ficar lá fora tomando sol mas depois começou a rachar e então nós entramos.

- Alguém viu o Math? Ele não atende o celular. -disse Alli. 

- Não, não sei não. -respondi junto com Cody e Cambo.

~Seu POV~

- Não começa a dar piti, logo logo ele aparece. -disse Ruby. 

- Não vou dar "piti". -disse Alli.

- Ah, então vamos contar os segundos. -eu ri e bem nessa hora meu irmão entrou pela porta- Oi.

- Oi. -ele respondeu.

- Onde você tava? -perguntei.

Ele não respondeu e ficou olhando pra nossa cara.

- Math? -Alli perguntou.

- Não sei! -ele respondeu.

- Bela resposta. -disse Ruby.

- Eu acho que eu vou voltar lá pro sol porque...é. -disse Joel e os meninos concordaram e saíram. 

- Vem aqui. -disse Alli.

- Pra quê? -meu irmão perguntou parado ao lado da porta. 

- Pra mim sentir o seu cheiro. -disse Alli. 

Cutuquei Ruby e saímos também. 

~POV Math~

Eu tô sem paciência por causa da ressaca mas vou tentar controlar.

- Eu quero muito tomar banho. -falei.

Ela veio até mim e me cheirou de longe.

- Você deve ter bebido todas e...

Por favor, cheiro de perfume feminino não, por favor, por favor.

- ...tá com cheiro de perfume de menina! -ela me deu um tapa.

- Vamos conversar no meu quarto, tá? -eu disse e fomos em silêncio. Ela bateu o pé até lá em cima. Fechei a porta e sentei na cama enquanto ela ficou em pé de braços cruzados.

- Aonde você tava? -ela perguntou. 

- Por aí. 

- Por aí onde?

- Eu sai com os meninos.

- E por que eles voltaram antes? 
- Alliiii, que foi?


- Foi que você tá mentindo pra mim!

- Eu não tô! É sério, eu acordei dentro do meu carro. Ontem a gente saiu pra apostar. Calma, apostar pra ver quem bebia mais. A gente tava numa balada e eu não fiquei com ninguém, é sério. É que eu acho que tinha umas vadias lá que ficava de esfregando em todo mundo, era da própria boate mesmo.

- E você não chegou a beijar ninguém? 

- Nem selinho. É que eles foram embora e me deixaram.

- É mesmo?

- É!

- Então tá bom.

- Me desculpa?

- Desculpo.

- Então vem cá. -levantei. Ela veio até mim e nos abraçamos. 

- Mas eu não quero que você fique indo nessas festas pra maior de idade.

- Tá bom, tá bom. -eu disse, ela me soltou e me deu um selinho.

- Agora vai tomar banho porque eu não quero mais sentir esse cheiro!

- Como quiser. -eu disse e entrei no banheiro.

Se eu soubesse que era tão fácil assim mentir pra Alli já teria traído ela mais vezes. "Nem selinho"? Até parece! Os pais da loira de ontem tinham ido viajar e ela me levou pra casa dela. Que noite! Acordei na cama dela quando ela ainda dormia e vim o mais rápido possível pra casa.

~Seu POV~

- Me falem a verdade, -eu disse- o Math traiu a Alli?

- Não é que traiu... -Joel começou. 

- Tá, traiu. Não sei nem porque eu perguntei. -eu disse.

- É. Pra onde vocês foram ontem? -perguntou Ruby.

- Pra uma balada por aí. Foi legal. -disse Cody.

- Imagino que pros três foi super legal! -disse Joel- E sobra pra mim trazer vocês pra casa.

- Valeu. -disse Cody- Da próxima eu trago.

- Aham. -disse Cambo.

- É promessa. -disse Cody- E depois de mim é você. -se referiu ao Cambo. 

- E você tava aonde ontem, Josh? -perguntou Cambo- A gente te mandou mensagem mas você nem pra responder. 

- Fiquei com o Elijah. -ele disse baixinho. Para ele era um pouco vergonhoso.

- Ele é legal. -disse Ruby.

- Passa uma noite com ele! -Josh respondeu. 

- Se ele não me lembrasse a sua cara, eu passaria.

- Vishhhh. -eu e Jake dissemos. 

- Tô falando que ex só atrapalha. -disse Cody.


- Concordo plenamente com você, cara. -eu disse, pois senti a indireta.

- Então, vamos conversar sobre o que? Essa vibe aqui tá muito negativa, minha gente. -disse Cambo.

- Como tá a sua mina, Jake? -perguntou Joel.

- Ótima. -Jake respondeu. 

- Eu tô curiosa pra ver a cara dela. -Ruby e eu dissemos juntas. 


- É gata. -disse Cody e depois levou um soco no braço. Ficou passando a mão.

- Hoje é sábado, vamos achar um lugar bem legal pra gente ir? -perguntei. 

- Vamos! -disse Jake. 

- Tipo onde? -perguntou Ruby. 

- Será que tem algum lugar em que a gente se divirta sem ter que tomar todas pra depois ficar com uma ressaca dessas e com essa dor de cabeça que nem remédio funciona? -perguntou Cambo. 

- Para de ser fraco! -disse Cody- Claro que não tem. Que graça tem a gente fazer as coisas e lembrar depois?


- Toda. -respondi- Você sabe que eu não posso nem ficar perto quando alguém tá fumando, bebendo ou o que seja.

- Então por que ontem você tava lá...?

- Lembra de cada um cuidar da sua vida? 

- Eu só tô me defendendo.

- Deveria ficar quieto. Isso sim. 

- Cada um da sua vida, ok. E ontem que você foi...

- Fui por necessidade. Eu falaria com qualquer um.

- Se fosse a Abby? 

- Também! 

- Mentira. 

- Você é eu pra saber? 

- Ainda bem que não!

- Escuta...

- Escuta os dois! -disse Joel- Já chega senão eu vou trancar os dois em um quarto até pararem de ser crianças! 

- A gente já fez isso uma vez com alguém, não fez? -perguntou Ruby.

- Sim. -Cambo respondeu.

- Eu prefiro ficar perdida no deserto. -eu disse.

- Eu faço o que vocês quiserem se não acontecer. Eu duvido que em algum tempo, em algum lugar vocês vão se pegar de novo! DUVIDO! -disse Jake.

- Posta uma foto de batom. -disse Cody.

- Aceito. -disse Jake e ele apertou a minha mão e a do Cody.

- Que nojo de beijar isso daí de novo. -disse Cody.

- IGUALMENTE PRA VOCÊ. -respondi- Tem quem queira.

- Que bom, tem quem me queira também. -disse Cody e eu fiquei me mordendo de raiva.

- Chega, né? Vocês já estão cansando. -disse Ruby. 

- Também acho que ele me cansa. -falei. 

- (SeuNome)! -Jake me deu um tapa leve na perna.

- Tira a mão da perna dela? Obrigado. -disse Cody. 

- Olha, alguém com ciúmes. -eu disse. 

- Tá, vamos pra onde hoje à noite? -perguntou Ruby.

- Tá desesperada pra sair por que? -perguntou Josh.

- Não tô desesperada.

- Aceite o fato de que ela quer pegar alguém que não é você. -disse Cambo. 

- Eu não preciso dela. -disse Josh.

- Olha o respeito. -disse Jake.

- Você tava com a mão na perna da (SeuNome), você sabe o que é respeito? -perguntou Joel. 

- Eu vou entrar. -bufei e levantei.

- Eu vou com ela, né? -disse Ruby e também veio. Ficamos no quarto. 

Ouvi um barulho na porta um pouco antes de ela se abrir e Alli entrar. 

- Oi. -ela disse.

- E aí? Com o Math. -perguntei. 

- Estamos bem. -ela respondeu sorridente. 

- Amiga, ele te traiu. -disse Ruby e eu fiquei quieta.

Eu já sabia que ele havia a traído mas melhor ficar quieta. 

- Como você sabe? -Alli perguntou- Ele me disse que não. 

- E você acredita? -perguntou Ruby. 

- Sim.

- Qual foi a desculpa dele dessa vez?

- Ruby, qual é a sua?

- Nada. Só tô falando.

- Só falando? Melhor ficar quieta porque ninguém pediu a sua opinião. 

~POV Math~

Sai do meu quarto e ouvi as meninas "conversando". Desci e achei os meninos. Subimos e ficamos ouvindo a conversa delas.

~Seu POV~

- Tá bom. Vai lá com ele e depois não fala que eu não avisei. Lembra do Jake, né?

- Quando você disse que ele tava pegando a (SeuNome)? -disse Alli.

- Sim, nessa época mesmo. Mas não, esqueci que você tava ocupada pegando o meu namorado! -disse Ruby.

- Conta pra (SeuNome) com quem você tava nesse tempo. -disse Alli.

- O que?! -perguntei- Ruby, você e o...Cody?! -estava deitada na cama mas logo levantei e fiquei sentada.

- Não! Eu falei que aquilo não aconteceu! -Ruby gritou.

- Eu conheço o meu irmão muito melhor que vocês duas. -disse Alli- E só pra constar, (SeuApelido), não que isso faça diferença agora, mas o Cody sabe mentir muito bem!

- (SeuApelido), é mentira! -disse Ruby.

Fiquei quieta. Ai, que raiva! Eu não queria acreditar mas sabe quando você nem pensa direito? O ruim é que Ruby me olhou com uma cara...
Não pude esconder dela o que estava pensando.

- Você vai acreditar nela?! -perguntou Ruby. 

- Por que vocês estão brigando? Mais uma vez por causa do cafajeste do meu irmão. -Alli abriu a boca pra responder mas eu continuei- E não vem me falar que só porque ele te ama, realmente ele te ama, isso eu posso falar, é que ele mudou. Eu não sei se ele te traiu, mas tava muito na cara, desculpa, Alli.

- Sei. -ela só disse isso.

- Se você quiser eu conto tim tim por tim tim do que ele pensou quando estava tomando banho. -disse Ruby.

- Lembra daquele plano lá do começo? -perguntei- No primeiro dia o Math já pegou a Madison e já me disse que queria a Alli. Tudo bem, aí a Alli disse que ia dar um jeito de prender ele, que não seria só mais uma. Ela conseguiu fazer com que ele se apaixonasse por alguém na vida. Se eu fosse você Alli agarrava ele e ameaçava castrar se ele quiser te trair. Agora, -fiz uma pausa- vamos prometer que a Ruby não vai pegar o Math, e Alli você não vai pegar ninguém. 

- E você? -perguntou Ruby- Você já ficou com o Jake. 

- É ex do Cody. -disse Alli.

- Já pegou o Cambo. -disse Ruby.

- E o Josh. -disse Alli.

- Eu não pego ninguém. -respondi. 

- Desculpa tocar no assunto e no nome, mas e o Mike? E o Lucas? -perguntou Alli.

- E O RESTO DE TODA A POPULAÇÃO MASCULINA MUNDIAL QUE BABA POR ELA, NÉ?! -disse Ruby. 

- Pelo menos eu sei que amigas exageradas todos têm. -eu disse.

- Não vamos falar do Mike e com a outra lá grávida você acha que eu vou lá catar o Lucas, que é o pai? -eu disse. 

- Por falar nisso, o Joel tá de fora das tretas, né? -perguntou Ruby.


- O Joel é mais na dele. -eu disse.

- E ele é fiel. -disse Alli- Se ele tá namorando ele evita até olhar pra outra.

- Que fofo. -disse Ruby.

- Que sonho de namorado, isso sim, né?! -eu disse. 

- Espera um minuto. -disse Alli virando para trás. 

- O que foi? -perguntei.

- Minha intuição feminina me diz que... -ela abriu a porta e todos caíram um em cima do outro. Math ficou em baixo. 

- Pode ver que os gêmeos são sempre o problema! -disse Ruby.

- Do que vocês estão falando? -perguntou Math.

- Você caiu primeiro, estamos certas de que você que veio aqui ouvir atrás da porta. -disse Alli. 

- Tá, se eu assumir vocês tiram mais de 200 quilos de cima de mim?! -disse meu irmão. 

- Deveria ficar aí sofrendo. -eu disse.

- Mais do que a dor de ser esmagado é sentir outra coisa sendo esmagada. -disse Math.

Eu e as meninas começamos a rir e eles levantaram.

- Já decidiram pra onde vamos de noite? -perguntei.

- Quem dera tivesse um baile funk americano. -disse Math.

- Um o que? -todos perguntaram e eu comecei a rir. 

- Ainda bem que não tem! -eu disse- E você por acaso já foi pra um?

- Não, querida. Olha meu nível. -Math jogou o cabelo pra trás. 

- Só falta o cabelo pra jogar. -eu disse- E agora eu te odeio.

- Por que? -perguntou Math. 

- A música da Anitta tá na minha cabeça. -respondi e comecei a rir.

- Não falem em portuguêssss! Isso me dá agonia, eu não entendo nada. -disse Cambo. 

- É que a gente tá falando mal de vocês. -eu disse.

- É, e orra, Josh, eu não deixava. -disse Math. 

- QUE?! -perguntou Josh.

- Não! A gente só tava zoando! Ele começou a falar em português porque tem uma "festa" -fiz aspas no ar- no Brasil que não deve ter tradução pra cá. 

- Ela só tava zoando mesmo. -disse Math rindo.

- Tá, quando vocês decidirem pra onde for, me acordem porque eu só quero dormir. -eu disse e eles ficaram me olhando. 

- Que foi? -perguntei pensando no que fiz de errado.


- Você falou com sotaque britânico. -disse Math.

- E daí?! -já perguntei com raiva porque eles só queriam implicar- Vocês todos falam com sotaque australiano e eu e o Math com sotaque de curso de inglês. 

- É, a gente sabe que você fala com sotaque de curso de inglês, então por que falou com esse britânico? -perguntou Cody.

- Mania! -respondi.

- Você não tem essa mania. -disse Alli. 

- Se vocês sabem que é por causa do Mike então por que perguntam?! -perguntei.

- Não tinha gente pior pra ficar, não? -perguntou Josh. 

Pensei um pouco.

- Do ponto de vista do universo, não, NÃO TINHA! -respondi.

- Se você sabe então por que continua com ele? -perguntou Ruby.

- Porque eu devo ter algum problema. 

- A gente não tá brincando. -disse Math. 

- Nem eu. -eu disse- E isso não vale, são oito contra mim!

- Você sabe que se a mamãe e o papai souberem, da reabilitação você vai pro hospício. -disse Math.

- Quem disse que eles vão saber? Eu acabo com você, com a sua vida! -eu disse.

- Se eu perder a paciência, decidir que não quero mais que você veja ele ou qualquer coisa assim, eu conto. -disse Math. 

- Vocês só sabem fazer de tudo pra... -comecei mas meu celular tocou. Que nome aparece na tela? Mike. Todos enxergaram, pois estava no criado mudo.

- Atende na nossa frente se tiver coragem. -disse Cambo. 

Peguei o celular, levantei e rejeitei a chamada.

- Minha coragem criou pernas e foi embora. -eu disse.

Eles já estavam acomodados pelo quarto e eu voltei a me deitar na cama.

- O que vocês ficam fazendo quando se vêem? -perguntou Math. 

- O que você fica fazendo com cada namorada que você arruma? Com todo respeito, Alli. -eu disse.

- Mas ele tem vinte e muitos anos, (SeuApelido)! -disse Josh.

- E daí?! Eu não vejo problema! É uma pessoa normal, seria nojento se... -fui interrompida por Cody:

- Nojento se tivesse a mesma idade do professor de literatura? Eles tem quase a mesma idade se você é tão idiota assim pra não perceber. -disse Cody.

CONTINUA? 
Friday, 26 September 2014 @ postado Friday, September 26, 2014