Capítulo 234 - ABSURDAMENTE GATO
{...} Jeremy arregalou os olhos e virou na hora. Pera aí, o meu irmão mais certinho...é gay? Vi Math explodir e dando alguns passos para ir até lá. Levantei e o segurei.

- Calma! Calma! Em casa você conversa com ele. E eu não vou deixar você xingá-lo ou esmurrar a cara dele por isso. 

- Mas ele é gay!!

- Ele já teve namoradas, acho que ele é bi, é só achar uma menina pra ele. Math, se acalma, você tá queimando.

- Eu to com raiva!

- A escolha é dele!

- Eu quero ir embora!

Voltamos a nos sentar. A comida chegou. Uma família entrou naquele lugar vazio. Deduzi que eram um pai, uma mãe, um filho e uma filha. O menino olhou para cá e revirou os olhos.

- Quem é? Por que olhou pra cá com essa cara? -perguntei.

- É o Tyler. Eles são os gêmeos que a gente falou. -disse Ruby se curvando para mim e falando baixo.

Vi que quando a menina passou os meninos a seguiram com os olhos e a cabeça. 

- Cody, o Math já deu o show dele, se você não virar esse pescoço agora eu vou fazer um também! -eu disse.

- E ela é a Blair. -disse Alli. 

- O que ela tem de mais? -perguntei com certa inveja, sim.

Os meninos fizeram curvas no ar com as mãos. Todos exceto Cody que só olhou e segurou a risada com aquela cara de "concordo". Começamos a conversar e vi Jeremy ir embora de fininho. Acho que só eu vi.

- E a gente fez uma aposta pra ver quem pega ela primeiro. -disse Math. 

- QUE?! -as meninas e eu quase cuspimos o que estava dentro da nossa boca.

Os outros bateram na mesa e demonstraram reações estranhas mas no fundo todos queriam dar um murro na cara do meu irmão.

- Cody tá nessa? -perguntei.

- NÃO, AMOR! NUNCA. -ele respondeu.

- Mas ela quer ele. -disse Ruby. 

- Como você s...? -perguntei até me lembrar de que era Ruby falando isso- Ah, mas não vai mesmo! 

- Tem mais. -disse Ruby olhando na direção dela- E ela só quer isso porque sabe que ele é o único que tem namorada e...espera, o que?!

A menina olhava pra cá com um olhar...estranho.

- O que foi? -perguntou Soph. 

- Eu acho que ela percebeu que eu estava lendo os pensamentos dela e...parou de pensar. -respondeu Ruby. 

- Eu vou ficar louca com esse povo. Vai falar que ela também não é normal?! Já não bastou a minha colega de quarto da clínica. -falei.

- O que a sua amiga de quarto fazia? -perguntou Cody. 

- Gelo. -respondi com uma cara...- Congelava as coisas quando encostava, sei lá. 

Todos olharam pro Math.

- Vocês são tão engraçados que me dão enjôo. -disse ele.

- Só eu não entendi nada? Como sempre... -sussurrei.

- Ô dó, tadinha dela! -Alli me abraçou. 

- Alguém pede a sobremesa que já quero ir embora. Ou vamos sem ela mesmo. -falei.

- TÁ LOUCA?! -os meninos perguntaram.

- Aquela menina tá me irritando. -eu disse e levantei.

- O que ela vai fazer? -ouvi perguntarem atrás de mim.

Passei pela mesa em que ela estava com o irmão e os pais. Olhei bem pra cara dela e fui pro banheiro.

~POV Cody~

Vi a (SeuApelido) entrar no banheiro. Antes disso ela e Blair se encararam e ela levantou indo pro banheiro também. 

- Ai, meu Deus. -disse Alli.

- Tomara que elas briguem. -falei e cruzei os braços na nuca- É até legal.

- Cody! -Sophie disse me tacando um guardanapo na cara- Legal? Você já viu duas meninas se enfrentando por menino?!

- Sim, quando ela brigava com a Abby, é daora a sensação de ser disputado. -respondi.

- Inútil. -Alli me xingou e colocou a mão na testa apoiando o cotovelo na mesa.

- É, cara, você vai sentir o que eu sinto todos os dias. -disse Math. 

- Vocês são inacreditáveis. -disse Ruby e a (SeuApelido) voltou.

- Abre o olho com o meu irmão. -disse Alli. 

~Seu POV~

- Como assim? Por que? -perguntei. 

- Nem te conto, amiga. -disse Math. 

- O que vocês fizeram lá no banheiro? -perguntou Jake. 


- Só fui dar uma mijada. -respondi. 

Eles começaram a rir tão alto que me deu vontade de me enfiar em baixo da mesa.

- A mãe cria a filha com milhões pra ela virar um dia e falar uma coisa dessas. -disse Cambo. 

- Verdade. -dei risada também. 

Comemos a sobremesa, que era muito boa por sinal, conversamos mais um pouco e resolvemos ir embora. 

- É...acho melhor eu ir pra casa só com o Math e quando der eu chamo vocês. -falei.

- Só você pra me segurar? -Math perguntou. 

- Cala a boca. Tchau, gente. -eu disse e entrei no carro. Todo mundo concordou. 

- Por favor, se for pra brigar com o Jeremy, não fala com ele. -pedi enquanto dirigia. 

- Eu to inconformado. 

- Eu também mas deixa ele, que mal tá fazendo?

- Você acha que papai e mamãe sabem disso? Eles vão surtar. 

- Talvez não. Pra eles, Jeremy é perfeito.

- Ahá! Duvida? Vou contar pra eles e...

- Math, você não vai contar!

- Vou sim!

- Eu não falo mais com você se fizer isso.

- Hoje ainda não disse que odeio você? To dizendo agora.

Eu ri.

- Lembra quando a gente falava isso todo dia? -perguntei.

- Lembro.

Um tempinho depois chegamos em casa. Antes de eu estacionar na garagem ele saiu do carro com raiva e bateu a porta. Parei o veículo no meio do jardim e fui atrás dele. Ele abriu a porta da casa com tudo e Jeremy estava no sofá assistindo tv.

- Sua bixa, o que você tava fazendo?! -Mato perguntou. 

- Eu não quero falar com você. -Jeremy disse e desligou a televisão. 

- Pelo menos ainda fala como homem. -disse Math.

- O QUE VOCÊ TEM COM ISSO?

- Você pode esquecer que me tem como irmão.

- Você nunca fez a mínima diferença na minha vida, por que me importaria agora?

- Jeremy, não fala isso. -eu disse.

- Eu também nunca me importei com o que você falou, por que me importaria agora? -disse Math- Eu sempre odiei você e agora...vira gay?


- Sempre odiou por que? Por que todo mundo gostava de mim e odiavam e ainda odeiam você?

- Jeremy... -falei de novo.

- Tá, to indo. -ele disse e subiu.

- Só vou esperar ele subir pra mim ir também. -disse Math- Pronto. -ele foi.

- Math!! -subi e olhei para os dois lados.

Eles bateram as portas. Pensei em ir falar com Math mas eu vou acabar ouvindo e ele deve estar revoltado e se achando com toda a razão. Se eu for falar com Jeremy...bom, se ele estava fazendo aquilo escondido é porque não tem ninguém para o apoiar e eu nunca falo com ele. Mas Math é meu melhor irmão! Mas...
Bati na porta de Jeremy e ele abriu.

- Posso conversar com você? -perguntei.

- Se for pra dar uma de homofóbica idiota igual seu irmão, não. 

- Não vou fazer isso. -balancei a cabeça e ele me deixou entrar.

Jeremy se jogou na cama e eu sentei em uma cadeira.

- Não fala disso alto. -ele pediu.

- Tá. -falei e cheguei mais perto. Era a coisa mais normal deitar na cama com Math mas com ele não mas ele deixou. Deitei em seu braço e ficamos olhando pro teto- Por que os meninos mais lindos têm que ser gays? 

- Que?

- Aquele menino que você tava, era absurdamente gato.

Ele riu.

- Absurdamente gato, essa é boa. E pera aí, você tem namorado! E não pode ficar olhando pro namorado dos outros.

- Você tá namorando com ele? -perguntei tendo um tique de felicidade.

- Acho que sim. Sei lá. 

- Tá. Vai do começo. 

- No dia 15 de fevereiro há 15 anos atrás eu nasc...

- Avança só mais um pouquinho.

- Tá bom. Ele chama Max. Ele era só meu amigo e eu sabia que ele era gay, a gente saía junto e essas coisas mas com outras pessoas também, em grupo, sabe? Tipo você e seus amigos, um dia acabou não indo ninguém -ele fez uma pausa pra falar: - E ele acho que foi armação. -e continuou: então ele virou e disse que gostava de mim, eu fiquei sem reação, claro. É a mesma coisa que a Sophie virar e falar isso sério pra você. 

- Por que a Sophie como exemplo? 

- Ela é a mais gata.


- Então você não é gay?

- Calma. E aí eu não sei, Max sempre esteve comigo e ele é muito legal, então eu arrisquei. Ele deu a ideia e disse "a gente pode se beijar e aí você vê se gosta".

- E...? -perguntei ainda sorrindo. Sério, estava empolgada com essa conversa. 

- E eu gostei. É diferente de beijo de menina.

- Qual a diferença? 

- Não sei explicar. Mas tudo bem e quando eu falei da Sophie...sei lá, quando passa uma menina eu ainda sinto atração. 

- Então você é bi, sem problemas. 

- Você acha que é fácil assim falar "sem problemas"?

- Sei que não, mas eu vou te ajudar no que precisar. -fechei a mão e levantei. Esperei- É pra você bater. Ou os nerds não fazem isso?

Ele riu e bateu.

- Tava te zoando. Obrigado mas imagine quando nossos pais souberem, se eu assumir e chegar na escola...imagine a cara da Sam!

- Quem é Sam?

- Aquela minha ex.

- Ah tá. Lembro.

- Mina interesseira. 

- Ela era?

- Era.

- E você acha que as meninas ficam com o Math só porque acham ele bonito?

- Não sei, ué. Mas ele também é, acho que vou chegar nele e falar isso. -ele riu.

- Eu to te defendendo mas você vai lá pedir uns socos dele?

- To brincando. -ele disse e parou de rir- Mas acho que ele tá fora de controle. 

- Como assim?

- Em dois meses ele encheu metade do corpo com tatuagem.

- Não tem problema. 

- O problema é o papai e a mamãe deixarem.

(...) Na hora do jantar meus pais estavam em casa. Tomei banho e me arrumei:
Mamãe gosta quando eu me arrumo de vestido e salto. Sentei entre Math e Jeremy. Eu comia devagar e com cuidado, olhando para os lados. 

- Sabem o que eu vi hoje? -Math perguntou.

- O que? -perguntou nosso pai sem se importar.

- Math, não faz isso. -sussurrei olhando pro prato.

- O filho perfeito de vocês beijando um homem. 

Justin olhou em nossa direção e aí eu já fiquei perdida.

- Que?! -nossa mãe perguntou.

- Mentira. -disse Jeremy.

- Você acha que eu não tirei foto? -meu irmão gêmeo perguntou sem ao menos virar o rosto para olhá-lo.

- Math, isso é maldade. -eu disse.

- Vocês podem se retirar da mesa, por favor? -ordenou nosso pai e eu peguei Justin no colo na esperança de tirá-lo de lá o mais rápido possível. 

Peter, Math e eu fomos para a sala de estar. Heather e Brandon estavam com a babá. 

- Que história é essa? -perguntou Peter. 

- Depois eu te falo, o Justin não pode ouvir. -disse Math.

- O que eu não posso ouvir? -Justin perguntou. 

- Nada. -respondi e o coloquei sentado no sofá. Eu permaneci em pé com meus outros dois irmãos.

- Por que eu não posso saber nada?! Ninguém me falou porque você ficou um tempão dodói no médico! Catapora não demora tanto assim! Eu sou criança mas não sou bobo! -Justin gritou. 

Eu comecei a chorar na hora. A maior parte do tempo na reabilitação eu fingia não ligar para tudo aquilo só pra esquecer ao ponto que eu tinha chegado e também pra esquecer o quanto ficar lá dentro era ruim. Math e Peter ficaram quietos.

- Por que você tá chorando? -Justin me perguntou e eu abaixei na frente dele olhando para seu rosto.

- Porque eu não tava com catapora, Jus. Eu tava com uma doença pior e ninguém quis te contar pra você não ficar precupado. E eu to chorando porque mesmo depois de ter saído do médico, tá doendo aqui. -coloquei a mão no peito, perto do coração- Mas já vai passar, é que demora um tempinho, entende?

- Entendi. -ele me abraçou forte e gostoso.

- Vamos voltar? -Math perguntou- Já estão em silêncio, acho que já terminaram.

- Vamos. -respondi e levantei pegando Justin pela mão. 

- Eu já vou. Só vou mandar uma mensagem pra Laura. -disse Peter.

- Ok. -respondi e voltei com Math e Justin.

- O que vão fazer com ele? -perguntou Math.

- Nada. -disse Jeremy.

- Math, isso não te diz respeito. -disse nosso pai.

- COMO ASSIM "NADA"?! 

- Não grita, moleque, tá pensando que eu sou quem?

- Nem respondo. -Math disse baixinho. Ele é idiota ou o que?

- Vamos te contar também pra você entender. -disse nossa mãe- Só não vamos fazer nada com ele, porque ele sabe que o Peter é adotado e vai contar...

- Mãe, eu acho que ele já sabe. -eu disse ao ver Peter entrar na sala de jantar por atrás dela e do papai.

- Como é que é? -Peter perguntou- Eu sou o que?


CONTINUA?

Tuesday, 22 July 2014 @ postado Tuesday, July 22, 2014